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O que aprendi na vida acadêmica além da grade curricular?

Atualizado: 26 de jun. de 2020

Olá gente, espero que estejam todos bem! Eu sou a Dra. Cândida Lima. Irei contar um pouquinho sobre a minha jornada acadêmica, e como um estágio no exterior me ajuda hoje, na minha profissão.

Eu sempre sonhei em ser doutora, mas não era “doutora médica”. Queria ser doutora com doutorado. Aquele sonho louco, avassalador, que me levava sempre aos mais intensos desafios. Foram eles que me trouxeram até aqui.
Colação de grau - 2008

Me graduei em 2008 em Engenharia Agronômica, pela Universidade Estadual do Piauí – UESPI, trabalhei na secretaria de agricultura do município de Pilão Arcado – BA.

Contudo, eu queria muito mais, aquilo era apenas uma das etapas para agregar conhecimento, eu sabia, meu mundo era outro.


Consegui uma colocação como bolsista na Embrapa Semiárido, orientada pela Drª Marcia Ribeiro, para trabalhar com bioecologia de abelhas, e assim dei os primeiros passos no universo da pesquisa.


Foram várias experiências maravilhosas, experimentos que não deram muito certo, noites mal dormidas, madrugadas em campo para coletar dados, muitas leituras de pesquisadores já renomados em comportamento de abelhas, aulas, treinamentos, viagens, coletas de dados, desenho de novos experimentos, enfim... Muitas descobertas que me levaram a várias publicações em anais de congressos, revistas, e muito, muito aprendizado.



Campo - Pulando cerca para coleta de abelhas em zona rural

Alguns anos mais tarde, fui admitida para cursar mestrado na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Lá vivi experiências maravilhosas, conheci muita gente massa, o Dr. Cherre Bezerra, por exemplo, sempre foi um super mentor, com ele aprendi coisas que trago até hoje para vida.


O desafio do mestrado era enfrentar uma técnica ainda pouco desenvolvida aqui no Brasil, mas já que era para realizar um sonho, eu iria enfrentar com muita dedicação. E lá fui eu para utilização de morfometria em asas de abelhas. Precisava conhecer e entender a variação populacional de uma das espécies de abelhas sem ferrão mais conhecidas e importantes do Nordeste, a Jandaíra (Melipona subnitida).


Na defesa de qualificação do mestrado surgiu a oportunidade de estender o projeto para um doutorado direto e assim estudar a ecologia química destas abelhas, o que me permitiria vivenciar experiências do “outro lado do mundo”. Lá fui eu!


Manchester, no Reino Unido, foi meu destino, um sonho em andamento, recheado de muita coisa boa. Por um ano e dois meses, morei, estudei e vivi um dos momentos mais intensos da minha vida! Descrevo como: Fantástico!


Em 2015, na University of Salford -UK, eu estava iniciando a minha pesquisa do doutorado. Um momento de muita alegria, pois eu também começava pela primeira vez em minha vida um trabalho sobre ecologia química de insetos (e francamente, é fascinante).


Foram muitos dias de experimentos, e muitos outros de análises dos resultados. E finalmente o retorno de tanto esforço veio na forma do artigo: Are Isomeric Alkenes Used in Species Recognition among Neo-Tropical Stingless Bees (Melipona spp.), publicado em uma revista científica conceituada (que orgulho de mim).


Além do novo aprendizado, eu também contei com a parceria de um pesquisador britânico renomado na área, o Prof. Dr. Stephen Martin, que me deu a honra de me co-orientar no doutorado.


Preparação de material biológico para leitura de hidrocarbonetos cuticulares de ASF
Preparação para leitura de hidrocarbonetos cuticulares de abelhas

Atualmente, sou professora das disciplinas como metodologia científica e meio ambiente, e para que eu possa ter resultados positivos no processo de ensino e aprendizagem, eu pesquiso informações atuais de artigos para levar para meus alunos, dando ênfase ao que está sendo discutido no momento. Isso faz parte do meu perfil profissional.


Preciso estar munida de conhecimento a respeito dos assuntos que os meus alunos abordam em seus projetos de pesquisa para ajudá-los, orientá-los. Preciso estar ciente do que há de mais atual nas leis, diretrizes, políticas a respeito do meio ambiente, pois as discussões em sala de aula (agora on line) precisam existir constantemente.


O processo de investigação, de busca por conhecimento, é muito gostoso de viver. Ele agrega muito ao meu conhecimento e consequentemente ao conhecimento dos meus alunos, que são muito importantes para mim.


Espero que a minha história possa inspirar muitos estudantes e profissionais, por que pesquisa e educação são aliadas e precisam todos os dias de aspirantes a novas descobertas.


Cândida Beatriz Lima, Eng. Agrônoma e Dra. em Ciências Agrárias, Professora e Palestrante.

Instagram: @candidabeatrizlima

E-mail: candidab.lima26@gmail.com

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